segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

IMPRESSÕES SOBRE: A voz da periferia em Salvador responde pelo nome de Igor Kannário




Em Salvador o som que melhor representa o sentimento da periferia atualmente não é o rap, nem o punk rock, estilos que sintetizam há anos o que o excluído social sente no cotidiano das grandes cidades. Vem de uma cara magro com cabelo loiro, no melhor estilo 'blondon' dos domingos na praia da Barra, sob a alcunha de Igor Kannário. A falta de papas na língua digna das polêmicas de um 'rock star old school' credenciou o cara como porta-voz da periferia soteropolitana. 

Depois de ser apontado por ter associação com o tráfico de drogas, o artista conhecido como Príncipe do Gueto realinhou sua carreira após ter a 'bênção' de artistas e políticos. Um ano após o upgrade na carreira, marcada anteriormente por prisões e bate-bocas com outros cantores e até apresentadores de TV, ele reformulou sua postura, mas não virou santo e não nega ser adepto de substâncias ilícitas (apesar de naturais).  

Com raiz no pagode baiano, a obra do artista segue a linha do que ele classifica como 'swingueira'. O diferencial? O diálogo com a favela. Igor Kannário se comunica como o povo, para o povo - como se houvesse um pré-contrato verbal. Em um show no bairro de Periperi, Subúrbio de Salvador, no domingo de Carnaval (7), o artista, em uma versão mais plantada, teve o público na mão tamanho o uso da passividade, diferente de outrora, quando em alguns momentos era acusado de incitar a violência. 

"A palavra de um homem é pior do que uma assinatura. Vocês vão me prometer que vão curtir o show sem violência", disse, antes de entoar "Depois de nós, é nós de novo", cantado como um mantra na Praça da Revolução. Atrás do palco, crianças vivenciavam o carnaval pulando e soltando bolas de sabão. O clima de civilidade não fugiu do controle nem com o refrão: "Eu não vou abaixar a cabeça pra ninguém. Se vier tem!", com as reações dos presentes observadas por guarnições da PM que estavam no local para garantir a ordem. 

No final, pra fechar com chave de ouro, Kannário puxou 'Desostenta', hit cult que ganhou notoriedade de um público diferente nas redes sociais pelo discurso contrário à tendência da ostentação. No dia seguinte, cerca de 500 mil pessoas foram atrás da pipoca do cantor. Em tempo de crise, falar de certas swingueiras é mais 'true' do que...[xá pra lá], além do quê, é mais coerente com o nome do blog.  

Confira abaixo 'Xeque mate', com letra de Edu Krieger, assim como 'Desostenta'.  



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