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segunda-feira, 30 de abril de 2012

DEVER DE CASA: Ironbound


Após um bom tempo sob o massacre do cotidiano, aqui estamos, dando prosseguimento a nossa série de entrevistas conhecida como DEVER DE CASA. A bola da vez é a banda IRONBOUND, da cidade de Alagoinhas (BA), que apesar do pouco tempo de existência está trabalhando pesado para conquistar seu lugar ao sol. O quinteto formado por: Angello Júnior (Vc), André Fiscina (Bx), Raul Barreto (Bt), Kenion Nascimento (Gt) e Daniel Menezes (Gt), vem se destacando com seu Thrash/Crossover, tornando-se uma das maiores referências deste estilo no Estado.

1 - Quando e como surgiu a ideia de formar a Ironbound?

Angello Júnior: A concepção da Ironbound ocorreu em meados do segundo semestre de 2010, quando a ideia ainda era de iniciar um projeto voltado à execução de covers de bandas de Thrash Metal, desde as mais clássicas e consagradas às mais obscuras. Entre 2003 e 2009 havíamos trabalhado com a Sick Life, banda cujo foco sempre foi o trabalho autoral; com o encerramento das atividades da Sick Life, concordamos que seria divertido investir em algo que nos proporcionasse uma liberdade maior para tocar músicas de bandas das quais sempre gostamos, sem que estivéssemos presos ao compromisso de compor com freqüência. No entanto, durante os últimos meses de 2010, enquanto tentávamos amadurecer a ideia do projeto de covers, continuamos a compor individualmente. Quando reunimos este material e avaliamos o seu conteúdo, sabíamos que não poderíamos descartá-lo, que deveríamos aproveitá-lo de alguma maneira. Então, em janeiro de 2011, quando entramos em estúdio pela primeira vez, já havíamos abandonado os planos de seguir como uma banda cover, e passamos a priorizar novamente o trabalho autoral. 

Raul Barreto: Quando encerramos as atividades da Sick Life, achei até que nunca mais voltaria à tocar com banda; quase um ano se passou e Júnior apareceu em minha casa falando que queria retomar as atividades com um novo projeto, mas nada sério, só para preencher aquele vazio que ficou entre cada um. No fim das contas, eu, Júnior, Kenion e Renato, todos ex-integrantes da Sick Life, resolvemos fazer um som, tocando covers. Chegamos a ensaiar várias vezes, até que um dia Kenion fez uma composição e resolvemos trabalhar em cima daquilo; o resultado foi foda, e foi dessa composição que resultou a faixa-título do nosso primeiro EP. Foi aí que começamos a compor e dar continuidade ao trabalho, buscando criar uma identidade para a banda. Houve algumas mudanças de membros, como a chegada de André (também ex-Sick Life) no lugar de Renato, e a entrada de Daniel, resultando na atual formação da banda. 

 2 - Falem um pouco sobre a cena rocker de Alagoinhas?

André Fiscina: A cena aqui já foi bem mais forte, principalmente na década de 80, início dos 90, sempre com um ciclo de bandas e eventos aparecendo e sumindo. Desde o final dos 90 até o momento, venho acompanhando e eu vejo que houve muita produção na cidade, várias bandas surgiram, e nunca houveram duas bandas com a mesma proposta de sonoridade, sempre com influências e trabalhos diferentes entre si. Isso torna a coisa mais legal, porque tem espaço pra todos. Hoje em dia não sei bem quantas bandas estão em atividade, mais posso contar, além da Ironbound, a Nute, Inventura, Traquebomba, Sr. Mais Velho, Aborígines, e a mais nova banda em atividade é a Epidemic Terror, de Death Metal.

Raul: A cena da nossa cidade, infelizmente, não é das melhores, mas até que ultimamente tem rolado alguns eventos - do final do ano passado pra os dias atuais - e isso já é um grande avanço. Os eventos aqui são feitos na base do famoso “Do It Yourself”, porque se fosse para depender de programas culturais, patrocínios ou coisa do tipo, pode ter certeza que não sairíamos do zero. Então, sempre quando pode alguém junta uma grana, aluga espaço, equipamento de som, e reúne a galera pra fazer acontecer. O que está faltando mesmo é espaço para as bandas, um lugar em que pelo menos uma vez no mês elas se apresentem. Isso seria fundamental para atrair e ganhar mais público, motivando o surgimento de novas bandas e, consequentemente, ajudaria a cena a crescer.

 3 - Logo no primeiro ano de formação vocês lançaram dois EPs, falem sobre esses trabalhos?

Júnior: O primeiro ano de atividades da Ironbound foi marcado principalmente por trabalho em estúdio, sobretudo ensaios e pré-produções. Era algo que havíamos planejado desde o início, uma vez que o objetivo era compor material próprio, aperfeiçoar o nível de execução desse material, e gravá-lo. Em Março de 2011 contávamos com algumas músicas finalizadas, e, principalmente, já nos sentíamos preparados para iniciar o processo de gravação do primeiro EP, que acabou sendo o “Máquina da Morte”. É um registro coeso e que cumpriu a sua função de apresentar a banda ao público, porque deixou bem clara a nossa proposta de combinar riffs e refrões. Tivemos uma excelente recepção por parte do público, que não somente baixou as músicas via internet, mas também nos enviou seu feedback através de mensagens de apoio. Com a boa repercussão deste primeiro material em blogs e redes sociais, resolvemos dar continuidade ao processo de gravação já em julho, que foi quando começamos as sessões de pré-produção para o EP “Unidos Pelo Ódio", o qual ao meu ver mantém intacta a nossa proposta, com o diferencial de ser mais abrangente, uma vez que o processo de composição das quatro faixas contou com a participação de toda a banda, a interação entre nós foi maior, e conseqüentemente a interação e a dinâmica entre as músicas também é mais intensa.


4 - Qual o foco nas letras da banda?

Júnior: O fato de optarmos por priorizar o Português como idioma de grande parte das nossas músicas, se por um lado permitiu maior liberdade e dinamicidade para expressar ideias, por outro exigiu maior rigor e cuidado tanto com a forma como colocaríamos as coisas, quanto com a escolha dos temas que abordaríamos. A minha ideia sempre foi de criar letras cujos temas pudessem interagir com a nossa música, e sendo a nossa música áspera, ríspida e em certo ponto violenta, era uma oportunidade de escancarar, de reescrever, à nossa maneira, alguns eventos marcantes ocorridos em função, principalmente, da política norte-americana, do imperialismo, que é um tema sobre o qual particularmente gosto de pesquisar. Para que o resultado pudesse ter uma base argumentativa mais sólida, sem no entanto deixar de soar direto e agressivo, recorri a alguns documentários nos quais estão baseadas boa parte das nossas letras, tendo sido alguns filmes do jornalista australiano John Pilger a base da pesquisa e criação.    

5 - Como está sendo a relação da Ironbound com a internet como veículo de divulgação?
 
Júnior: A Internet tem sido a principal mídia através da qual divulgamos o nosso som. Em se tratando de custo/benefício, provavelmente tenha sido a mídia mais viável para bandas independentes nos últimos cinco anos, porque permite que você leve a música da tua banda a mais pessoas e a diferentes lugares através dos arquivos digitais. Temos trabalhado na divulgação do nosso material através das redes sociais, em comunidades e grupos específicos, e o resultado tem sido positivo. Sites como o Youtube, por exemplo, oferecem facilidade de acesso e interatividade. A grande quantidade de blogs, que hospedam desde e-zines a páginas pessoais, também têm ajudado bastante a difundir nosso trabalho, em muitos deles é bem fácil encontrar os dois EP’s para download.   

Raul: Tem sido muito bom, superou até um pouco as minhas expectativas, tivemos muitos comentários positivos, inclusive alguns meses após o lançamento de “Máquina da Morte” fui fazer uma pesquisa no Google sobre a banda para ver se encontrava alguma coisa relacionada, e não sei como... o nosso EP estava em vários blogs, alguns gringos - da Rússia e na Espanha. Ficamos muito gratos, acho que não tinha nem dois meses de lançado, isso foi uma coisa que nos deixou muito felizes porque mesmo fazendo um som cantado em Português a galera lá curtiu. Sem falar também da matéria sobre a banda que saiu no respeitado site Whiplash, graças ao Christiano, dono do blog “Som Extremo” - aproveito para agradecer mais uma vez a ele pela matéria e pelo excelente trabalho.


6 - A Ironbound se apresentou recentemente em cidades como Salvador e Simões Filho, como está sendo a recepção por parte do público? A relação com outras bandas? E como está sendo a experiência pra vocês?

Júnior: Foram passagens muito positivas em cada lugar nos quais tivemos a oportunidade de tocar. É gratificante e divertido poder apresentar o nosso trabalho em diferentes cidades do nosso estado. Cada evento é uma nova oportunidade de conhecer pessoas e fazer contatos importantes, e também de rever e dividir o palco/espaço com amigos e bandas parceiras. Em Salvador, tocamos em evento que contou com a Lei do Cão, e a isso graças aos parceiros da Sbórnia Social, que têm nos apoiado e com a qual tivemos a satisfação de tocar algumas vezes. Em Simões Filho, foram duas visitas até então, ambas bem-sucedidas, uma vez que contamos com o apoio do público – que participou e interagiu conosco nos shows – , dos nossos amigos da Brain In Flames e do pessoal da Crust Or Die (Blog e Distro). Também passamos por Esplanada, Pojuca e Santa Bárbara, e em todas as ocasiões pudemos agregar experiências positivas. Só temos a agradecer às pessoas que nos proporcionaram estar em cada um destes lugares, e às tantas que nos motivam a seguir em frente.  


André: Foram dois shows brutais, pessoal se acabando no Mosh bem do jeito que a gente gosta de ver. Em Salvador foi um prazer dividir o palco com a Lei do Cão e a Sbórnia Social, e tomar aquele sol todo pra fazer o som para a galera. Queremos voltar sempre que possível pra revê-los e continuar a propagar o nosso som.



7 - O que vocês acham dessa nova evidência do Thrash Metal? E, a quê vocês creditam isto?
 
Júnior: Quando o trabalho é bem feito, apoiado e divulgado, a tendência é que acabe se destacando. O Heavy Metal em geral sobreviveu a um período negro, em que pequenos selos fecharam as portas, grandes gravadoras mudaram o foco das suas prioridades, e inúmeras bandas vieram a decretar o fim das suas atividades – muitas das que resistiram passaram a apresentar trabalhos pouco inspirados, algumas até redirecionando a proposta para estilos mais comerciais. Acredito que a reviravolta tenha ocorrido principalmente porque as bandas voltaram a fazer aquilo que sempre souberam fazer, voltaram a acreditar novamente em sua música, e apresentar material de qualidade novamente. Muitas bandas veteranas retomaram as atividades, outras tantas surgiram para somar forças e agregar credibilidade ao Thrash Metal. A consolidação dos arquivos digitais e sua disseminação também foi fundamental, acabando com a festa das gravadoras e permitindo maior independência às bandas, e desde então tem ajudado demais àquelas que sabem utilizar o mp3, por exemplo, como uma ferramenta poderosa no processo de divulgação. 

André: Acho que essa evidência é normal, rolam esses ciclos na mídia rockeira, daqui a um tempo pode ser que ninguém mais queria saber de Thrash novamente! Tem muitas bandas novas resgatando o estilo, e outras que já existem desde quando o estilo estava em baixa e não deixaram a thrasheira morrer. Mas não somos desse lance de estar na tendência, em ir com a onda, a gente já escuta Thrash desde muito tempo, principalmente eu e Angello, correndo atrás de clássicos do estilo em sebos, antes de mp3 e coisas do tipo, então nada mais normal que o som que dá tesão da gente fazer seja Thrash/Crossover. 

8 - Quais os planos para um futuro próximo?

Júnior: Recentemente iniciamos a gravação do nosso terceiro registro. O processo ainda está na fase inicial, mas desta vez pretendemos registrar um número maior de faixas, e algum material extra, como músicas extraídas de shows ou material áudio/visual. Por isso mesmo, precisaremos de um tempo maior para viabilizá-lo, e ainda não existe uma previsão de quando o disco estará finalizado. Queremos, também, disponibilizar camisas e patches da banda. E, é claro, continuar levando nosso som à lugares diferentes, através de shows.

André: Lembrando também que estaremos retornando à Esplanada, em 26 de maio. E que em breve teremos novos shows confirmados, é só ficar ligado, pois divulgaremos no Facebook, Orkut e Myspace!
 


9 - O Ecos da Periferia gostaria de agradecer a participação de vocês. Querem deixar suas considerações finais?
 
Júnior: Agradeço ao zine Ecos da Periferia pela oportunidade de falarmos um pouco sobre nosso trabalho. Parabéns, sigam firmes com a proposta de vocês! Meu muito obrigado também a todos que têm nos apoiado, tanto o público que vai aos shows e baixam nossas músicas, quanto às bandas parceiras. Keep on thrashin’!!

Raul: Valeu ao espaço que vocês concederam, valeu mesmo, são pessoas como vocês que fazem o cenário permanecer na ativa, continuem com esse trabalho do caralho que vocês fazem. Agradeço também a todos que sempre acreditaram e apoiaram a banda.


*Fotos: Divulgação / Quem é Doido? / Ecos da Periferia.

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Sessão do Descarrego:
EP - Máquina da Morte 
EP - Unidos pelo Ódio

Nas Sociais:
Site: Trama Virtual
Comunidade: Orkut
Perfil: Facebook

E-mail: ironboundbr@hotmail.com    

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DEVER DE CASA: Luciano Robô (Banda Confusão)

Luciano Robô interpretando "Carcará"
Em meados dos anos 80, ao se enveredar pelas ondas do surf, aquele jovem exibindo suas astúcias sobre as ondas ouviu o seguinte comentário de um amigo: "Porra, parece um Robô!".  Daí em diante, a interessante comparação incorporou-se ao seu nome com a mesma intensidade que ele tinha para respirar cultura e contra-cultura.

O soteropolitano Luciano Robô, 39 anos, vocalista da banda Confusão, é figura carimbada das movimentações culturais do bairro de São Caetano (ou Sanka, como chama carinhosamente), e com muita veracidade promove uma bela fusão de música, teatro e poesia. O Ecos da Periferia teve o prazer de fazer um Dever de Casa com esse "boa praça" da alternatividade local.

ECOS DA PERIFERIA - Robô, você teve participação no movimento Punk de Salvador nos anos 80/90, fale um pouco sobre essa época?

Luciano Robô - Nesse período eu tive uma banda (Combatentes), e participava das reuniões e dos manifestos punks. O punk pra mim foi, e é até hoje, como uma escola que me fez pensar, gostar de leitura e ter uma visão crítica. E todos nós éramos como irmãos, tenho amigos (irmãos) daquela época até hoje e já se passaram 20 e poucos anos!

E.D.P - Quando e como surgiu a ideia de formar a banda Confusão? 

L.R. - Bem, em minhas andanças fui parar no sertão da Bahia, em Paulo Afonso. La estudei teatro, fiz parte de um movimento por nome “New Cangaço Cult” e trabalhei como Palhaço. Nesse período conheci Cris Punk. Começamos a discutir idéias sobre a cultura nordestina, conheci também o Júlio e Roger. Os caras tinham uma empresa de publicidade (Rush), onde eu passei a morar com os caras na própria empresa. Um dia o Júlio me apresentou um disco com a trilha sonora do filme “Deus e o Diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha. Fiquei fissurado. Daí surgiu a idéia de montar uma banda com temas nordestinos. Começamos a fazer pesquisas sobre o cangaço e ficamos empolgados, por ver que apesar das atrocidades, existiam no meio: poetas, alfaiates, músicos e muito mais. Começamos a fazer letras com temas atuais na linguagem do cangaço. O nome da banda ou bando era Batida Seca. Gravamos um CD Demo com 04 músicas e fizemos 2 clipes que hoje podem ser encontrados no You Tube. Mas infelizmente, tive que ir embora da cidade e o bando acabou. Alguns anos depois voltei para Salvador, chegando aqui comecei a fazer parte de uma ONG. Ia rolar uma palestra e sugeri a uns amigos (Bob, Dum e Moska), para a gente fazer uma apresentação musical com performance teatral com 3 músicas. Depois fizemos alguns ensaios, mas não fizemos mais nenhuma apresentação, abortamos o projeto, o nome era Bardiei. Conheci Dudu, depois Xuxa e Niel (ambos irmãos de Dudu), os caras tinham umas letras interessantes. Filhos de pai cantador e tocador de Chula, conheceram de perto o serviço da roça e toda cultura do interior baiano (cidade de Mundo Novo), apesar de também gostarem de rock 'and' roll . Nos unimos e formamos a Confusão, que é um resultado de toda essa transição. Hoje temos o mascote da banda que é o Rafael Luz, que é um guitarrista monstruoso no bom sentido, que praticamente nos dirige. Pela Confusão já passaram algumas pessoas as quais devemos o resultado de hoje como: Rato, Dedé, Juninho e Dibule.  
     
E.D.P. - A Confusão está divulgando CD, lançado há pouco tempo. O resultado do trabalho foi o esperado? E como está sendo a recepção por parte do público?

L.R. - Sim, o resultado foi o esperado. Está sendo bem legal, até quem não gosta do estilo está elogiando.

Banda Confusão
E.D.P. - Quem compõe a banda? E musicalmente, de onde vieram?

L.R. - Luciano Robô (do punk rock), Niel (do rock and roll e da música regional), Xuxa (do rock and roll e da musica regional), Rafael Luz (do rock and roll e da MPB), Bob (do punk rock).

E.D.P. - Quais são as influências da banda Confusão?

L.R. - Tom Zé, Antônio Nóbrega, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Punk rock, cantadores e tocadores do sertão e a música universal.

E.D.P. - São Caetano tem com um movimento cultural muito interessante. A que se deve essa inquietação das pessoas daí?

L.R. - Os artistas aqui, em São Caetano, fazem arte por amor. Temos poucos recursos, quase nenhum, ou aliás nenhum. Tiramos do nosso próprio bolso. E fazemos isso porque é isso que nos mantêm vivos. Criei aqui em São Caetano o Musiarte, projeto onde mesclamos todas as vertentes das artes, no bar de Tia Dedé, durante mais de três anos, trouxemos até banda internacional para tocar no Musiarte (Amordazados, da Venezuela). Além do Musiarte; temos o Café Atelier Jc Barreto de um artista plástico que sede o atelier para shows e funciona também como bar. Temos também o espaço Gangara onde rolam eventos, quem organiza os eventos é o Biginga (vocalista e guitarrista da banda H-DRIX).

E.D.P. - O que você acha da atual cena de música alternativa de Salvador?

L.R. - Acho que têm muita coisa interessante e outras infelizmente tocando muito, mas fazendo mêsmice.

E.D.P. - Agradeço sua participação nesse derradeiro Dever de Casa de 2011. Gostaria de deixar alguma mensagem final?

L.R. - “FAÇA VOCÊ MESMO!”


Contatos:
E-mail: bandaconfusao@hotmail.com 

sábado, 26 de novembro de 2011

DEVER DE CASA: Sbórnia Social

Sbórnia Social ( Lenon, Rafael e Marília)
A Sbórnia Social foi formada há pouco tempo, mas já nasce com status de banda conhecida do público hardcore de Salvador. Isso, pelo fato do grupo ser uma renovação da extinta Alienados do Subúrbio, que já corria os quatro cantos da cidade representando a suburbana, desde 2006.  O Ecos da Periferia aproveitou para fazer uma entrevista com Rafael (guitarra e voz), Lenon (bateria e voz) e Marília (baixo), no melhor estilo Dever de Casa. Neste papo, a banda que debocha com a esbórnia da sociedade fala sobre a cena local, projetos, atitude, entre outras coisas.

Ecos da Periferia - Qual a proposta da Sbórnia Social? 

Rafael - Além do protesto e das críticas sociais, o objetivo é fazer com que o indivíduo pare pra pensar um pouco mais, e que tenha uma consciência ecológica e uma responsabilidade social. Falamos ainda sobre a alienação e a manipulação das massas, tentando abrir os olhos das mesmas.

EDP - A Sbórnia Social surgiu com o fim da banda Alienados do Subúrbio, que era uma dupla na última formação. Quais os motivos que impulsionaram as mudanças no nome e na formação?  

Rafael - Desde a saída de Hélder (baixista) nós procuramos por um substituto e não conseguíamos. Algumas apresentações apareceram e tocamos assim mesmo, porém o objetivo era colocar o baixo, pois nas composições estava sempre presente numa introdução, numa batida de baixo e bateria, entre outras. Sobre o nome da banda, a Alienados já tinha passado por várias mudanças e algumas pessoas quando ouviam falar da banda já sabiam que era uma dupla tocando hardcore. Quando Marília aceitou tocar com a gente voltamos a uma formação "convencional", aí deu um novo gás, uma nova motivação. Resolvemos mudar o nome a partir dessa nova cara, que por enquanto não é algo tão novo, mas já tem suas influências e novos pensamentos.

EDP - Quais as maiores dificuldades em fazer música alternativa em Salvador? 

Rafael - Poucos espaços, consequentemente poucos eventos. Um público cada vez menor e a falta de união entre as bandas, nesse caso muitos querem ser prestigiados mas não querem prestigiar.
Lenon - Rapaz, fazer hardcore em Salvador  está mais difícil que fazer qualquer outro estilo de som oriundo do rock.  Porque parece que o público do hardcore ou tá ficando velho ou estão presos. Os sons estão cada vez mais vazios, e isso termina que as bandas ficam meio desmotivadas e tem muita banda ai que acaba por esses e por outros motivos.

Sbórnia Social no Tributo ao Cólera
EDP - Como avaliam as movimentações sonoras e ideológicas que vem acontecendo atualmente na cidade?

Lenon - Tá foda. Tem sons que nós vamos, que parece que só trocaram os integrantes das bandas, o som continua o mesmo. E a galera está meio tímida, mais quieta ideologicamente, tá revolução de internet. Muita gente que só faz cobrar nas redes sociais, mas na hora H, cadê? A verdade é que as bandas de Salvador estão fazendo o movimento.

EDP - Contem-nos um pouco sobre a relação dos integrantes da banda com outras ações alternativas como vegetarianismo, semi-vegetarianismo e esportes radicais, por exemplo?

Lenon - O vegetarianismo foi uma escolha individual de cada integrante por conta de algumas questões particulares, nada sob influência. Já o lance de esportes, nós já praticávamos há um tempo, eu e Rafael já andávamos de skate e skimboard, só começamos a unir as coisas a nossa música.

Rafael - A questão é que hoje eu não me alimento mais de carne vermelha e nem de frango, mas continuo comendo peixe, ovos e leite de vaca, porém com uma menor frequência. Acredito na questão do vegetarianismo como uma maneira mais saudável de alimentação e muito importante contra a exploração animal e na questão do desmatamento ilegal, onde muitas empresas estão atuando sem preocupação com o meio ambiente.

EDP - (Para Marília) Como está sendo o processo de adaptação com os caras num som tão rápido? Já que na Última Quimera, sua antiga banda, o som era mais cadenciado.

Marília - Pra mim está sendo ótimo, porque eu sempre gostei de hardcore. A Última Quimera tinha uma pegada mesclada com o hc também, mas não era tão rápida quanto a Sbórnia Social. O processo de adaptação não me atrapalhou em nada, porque eu já tinha uma pegada rápida só tive que tocar bem mais rápido do que eu tocava, então pra mim está tudo maravilhoso.
Sbórnia Social em Simões Filho
EDP - Quais as bandas que estão ouvindo atualmente?

Marília - Presto?, Ponto de Equilíbrio, Dominatrix, Nucleador, Negative Control, Elastic Death, Musica Diablo…

Rafael - Nucleador, Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, Ponto de equilíbrio e Mato Seco.

Lenon - Muito Hardcore Crossover e muito Thrash, uns sons mais pesados com a pegada rápida tipo: Slayer, Claustrofobia, RHD, Ação Direta, Musica Diablo, Atroz, Bezerra da Silva, Xico Xavier, Common Enemy, Dead Radical, XbrainiaX, Vitaminx, Dropdead, Dr. Living Dead, F.D.S, Fokismo, Jello Viagra, Skazi, Uzômi, Ratos de Porão, LxExAxExRxN, Magrudergrind, Migra Violenta, Municipal Waste, Nucleador e por aí vai…

EDP - Quais os planos para o futuro, inclusive em termos de material novo?

Rafael - Continuar ensaiando, fazer algumas apresentações, no próximo ano gravar um material de qualidade para divulgação.

Lenon - Penso em gravar um CD Demo pra começar a divulgar o nosso trabalho. E dessa demo vai sair um clipe, agora, um clipe de verdade.

EDP - Gostaria da agradecer a participação da banda nesse 1º Dever de Casa. Gostariam de deixar alguma mensagem final?

Rafael - Gostaria de agradecer por esse espaço de divulgação, agradecer as pessoas e os amigos que estão nos acompanhando nos shows, no orkut, comunidade, vídeos e etc... Falar para a galera que se possível, ouçam músicas, independente de estilo, que realmente tenham conteúdo e falem algo interessante, leiam bons livros e assistam programas que lhes concedam mais conhecimento. Nunca deseje para seu próximo aquilo que não deseja para sí mesmo. Respeito sempre.

Marília - Vá em frente sempre e nunca espere por alguém, porque você e capaz de tudo. Seja feliz do jeito que você é, não importa o que os outros pensam ou acham de você, simplesmente viva de acordo com o seu modo de viver.

Lenon - Quero agradecer a você Billy, pelo espaço mais uma vez e por sempre estar nos incentivando. E a todos os amigos que nos ajudam de alguma forma. Valeu!

Comunidade no Orkut