quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sem Acordo na 1ª Verdurada Salvador (2000)

Sem Acordo - I Verdurada Salvador

Lá pelo final dos anos 90, em uma edição do diário Telefanzine, o apresentador (Ednílson Sacramento) anuncia a criação de um selo em Salvador especializado em punk rock e hardcore. O selo era o Estopim, que mais tarde se tornaria loja de cd’s/camisetas e estúdio. A partir do selo, tocado por um jovem straight edge chamado Fabiano, o cenário punk da terra do axé sofreu várias transformações e foi inundado por uma diversidade sobrenatural de produções deste estilo. 

Na verdade, esta vasta história merece um capítulo em especial que em alguma oportunidade será contada como forma de registrar uma época frutífera que serviu como divisor de águas em relação ao que era feito antes e depois da cena straight edge nesta nefasta cidade.

Esta pequena introdução surgiu como forma de contextualizar esta postagem. Há pouco tempo, o não tão jovem Fabiano Passos resolveu revirar seu acervo pessoal e acabou encontrando ótimos registros daquela época. O primeiro da lista resultou em postagem para o YouTube em que mostra à apresentação da extinta banda SemAcordo (grupo que Fabiano integrou tocando guitarra – como registrado no vídeo), na I Verdurada local, em outubro de 2000, no antigo e efervescente Ex-Passo Cultural.

O registro mostra uma fase visceral do grupo que mais tarde se tornaria na nacionalmente conhecida Lumpen. Vi o vídeo um dia desses e achei que seria legal compartilhar aqui no FDP. A baixa qualidade do vídeo é por motivos óbvios: tempo de vida, fita, iluminação... etc. Mas creio que o que vale mesmo é registrar a apresentação de um dos grupos mais intensos que o espírito do hardcore baiano gerou. 
No evento: discursos certeiros, intervenções poéticas e música punk sem acordo com a hipocrisia social.

Sem Acordo no vídeo é: Robson Véio no vocal, Fabiano na guitarra, Rangel Blequimobiu no baixo e João Paulo na bateria.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Documentário - Rock do Subúrbio

Inquietamente anárquico, o poeta, músico e agora documentarista, CR Mosca, brinda os que se interessam pela história da cultura alternativa da terra do dendê com mais uma produção independente e instigante. Nesse novo empreendimento, Mosca "despretensiosamente" apresenta o vídeo-documentário Rock do Subúrbio, a saga das bandas Revolta Suburbana, Quatro Elementos e AI-5, do bairro de São Caetano.


Rock do Subúrbio - Abertura


Rock do Subúrbio - Primeira parte



CONTINUA...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Malaco Véio – Revolucionando o cotidiano

A Malaco Véio é uma banda lá de Ribeira do Pombal, cerca de 300 km da capital baiana. O power-trio executa um punk rock/hardcore com fortes influências dos grupos dos anos 80. Considerada pioneira na cena rock da cidade, a Malaco Véio extermina o marasmo do interior do estado com a criatividade e a atitude punk.

Em 2002, lançaram um CD-Demo com 8 canções que externavam críticas político-sociais e os anseios humanísticos dos componentes. Já em 2008, foi registrada a apresentação na 5ª edição do Festival Eventual Rock, e em 2011, lançaram o CD “Ao Vivo no Punk Caverna”, registro de uma sessão de ensaio. Consta ainda no currículo da MV, a participação nas coletâneas virtuais “Saindo do Ócio” e “Incomodando”, ambas de 2010, e “Punkhardcorecrust”, de 2011.

Ao longo do tempo se apresentaram em vários festivais da região, destaque para o Boicote Rock (Serrinha), Feira Rock Festival (Feira de Santana), Zé Rock (Teofilândia), além do já citado Eventual Rock (Ribeira do Pombal). Além de tocar, os integrantes costumam organizar e produzir eventos na cidade como o Sexta HC e o Pombal Rock Express Festival.
Assim, a Malaco Véio vai “revolucionando o cotidiano com resistência e ousadia”, como definem sua trajetória.

Malaco Véio é: Ricardo (Vc/ Bx), Marco (Gt) e Juninho (Bt).


Contato: Facebook 



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

IMPRESSÕES SOBRE: Incubadora Sonora em Periperi

FDP/Incubadora Sonora
Já faz um tempo que o blog não cobre eventos pelos picos das periferias de Soterópolis. Não por falta de vontade, mas os afazeres do cotidiano é que estão consumindo o andamento deste veículo de proletariado (Isso não é uma justificativa, acho).  
No domingo (28), resolvi dar um pulinho no vizinho bairro de Periperi, mas precisamente no restaurante Bonapettit, para acompanhar a edição local do projeto Incubadora Sonora. O projeto, financiado via edital, movimentou a cidade nos últimos meses com processo de escolha de bandas oriundas das periferias locais.
Assim, as apresentações, ocorridas no mês de julho, passaram por vários bairros mostrando o trabalho de grupos novos e outros já rodados. Exemplo disso foi o casting apresentado em Periperi: Irmão Carlos e O Catado, completando dez anos, e a banda local O Terreiro.

FDP/Irmão Carlos & O Catado
Os sons

Marcado para começar às 14h, o som foi rolar mesmo lá pelas 15h30, mas tudo bem, como uma das atrações previstas (Alexandra Pessoa) não se apresentou, perdoa-se. Os primeiros sinais sonoros da tarde foram do soul - mezzo rock - do Irmão Carlos e O Catado. Muito suingue com letras inteligentes que em alguns momentos remetiam ao ex-Titã, Arnaldo Antunes e o saudoso Itamar Assumpção – espero não ter viajado demais na livre associação. Som super bacana de uma banda que completa dez anos com muita competência. Destaque para as releituras de Sossego, de Tim Maia, e Um Lugar do Caralho, dos gaúchos da Júpiter Maçã, com a participação nos vocais de Rodrigo Chagas, dos Honkers.

FDP/O Terreiro
Após o show do Irmão, foi a vez de ser apresentado à musicalidade da banda O Terreiro. Massa o clima que tomou conta do espaço. Os rapazes são de casa e a galera tava jogando junto. O grupo faz uma mistureba sonora que vai do ijexá ao rock, passando pelo reggae e soul – mas o tom maior mesmo vinha da percussão fazendo forte referência aos terreiros de candomblé. Musicas dançantes e cantantes, tendo como adorno os vocais de fundo da plateia. Impossível não associar O Terreiro com os cariocas d’O Rappa. E essa impressão ficou maior quando tocaram Meu Mundo é o Barro, de Falcão & Cia. Mesmo assim, ainda achei a proposta neo ijexá interessante.

FDP/Público
O projeto Incubadora Sonora 2013 acabou no domingo (4), edição de aniversário do Irmão Carlos e O Catado, lá no Marback, onde costumam deixar  Faustão Falando Sozinho. E que assim seja por muito mais tempo.

domingo, 26 de maio de 2013

Sessão do Descarrego: ARQUIVO MORTO

A Arquivo Morto é uma banda de música ligeira lá da periferia de Paulista, Região Metropolitana de Recife, Pernambuco. O som é um hardcore rápido e tosco com influências que vão do Grind ao Crustcore com aquele jeitão Power-violence de ser, ou seja, coisas pra quem quer dormir na santa paz. A banda foi formada em 2001 e apesar de tentar incluir outros integrantes, consolidou-se como um power-trio. O grupo busca sonorizar os problemas do cotidiano periférico como forma de escapar de uma rotina que impulsiona ao marasmo, e consegue passar o sentimento de forma clara (e ruidosa) na demo ‘Falsa Democracia’, de 2007, orgulhosamente disponível nesta Sessão do Descarrego.

Arquivo Morto é: Guill (guitarra e vocais), Júlio (baixo) e Whent (bateria). 


Pra quem curte sonoridade rápida, direta, suja e agressiva...

sábado, 11 de maio de 2013

Sessão do Descarrego: Banda ALUGA-SE


O dia em que a terra parou num Woodstock suburbano

Esses dias estava lembrando da banda Aluga-se e do seu belíssimo serviço prestado para o rock'in roll local. Consultei meu caixote de discos e descobri que não tinha o registro da banda, mas com a ajuda do amigo Marcos ‘Túmulo’ consegui uma cópia. A bolacha contém as composições que embalaram shows históricos desta, que muitos acreditam ser a melhor em covers do ‘Maluco Beleza’. Quando digo shows históricos, me refiro às performáticas apresentações no Palco do Rock e dos inúmeros shows pelo interior do estado, gentilmente relatados pelos amigos e ex-integrantes da banda, Antônio (Pimpão) e Sinho (Cara de Pino).
Apesar do reconhecimento e da bagagem que a Aluga-se adquiriu com o passar dos anos, a apresentação mais marcante pra mim e para outros foi uma acontecida em, sei lá, acho que em 96 ou 97. Era um som armado na casa de Dejanilson (guitarra e vocal da banda), ainda em Paripe, num chuvoso sábado à noite. A chuva deu um toque de Woodstock suburbano e o som armado entre quintais, varais e lama rendeu momentos hilários com um ébrio (Tota, sempre ele) querendo roubar à cena. Sob a ameaça eminente de choques, por conta da combinação água e aparelhagem, o repertório foi composto por clássicos de Raul Seixas e as primeiras músicas autorais de Deja & Cia. Além de convidados e familiares, estavam presentes as bandas: Êxtase (tempos depois, Led faria parte da Aluga-se), Hímen Complacente e D'Fezes.

Infelizmente não consegui o título das canções. Mas, deixa de ser chato e...



sexta-feira, 10 de maio de 2013

DIVULGASOM: Crust Or Die apresenta Gig Punk

O coletivo Crust Or Die e o Denis Bar mais uma vez unem as forças para proporcionar momentos intensos do resistente movimento punk de Salvador e Simões Filho. A próxima gig punk no local reunirá as bandas: Rancor, Agnósia, Sbórnia Social, Orelha Seca e a veterana Neurastenia.
Formada no início dos anos 90, a Neurastenia é uma principais bandas vinculadas ao Movimento Anarco Punk (MAP) de Salvador. Hardcore oitentista com forte discurso político e social.
“Reagrupar amigos, simpatizantes do som e recolocar na ordem do dia a necessidade de se posicionar diante das relações sociais e as novas formas de dominação e desigualdades na conjuntura atual”, sintetizou o vocalista Grito sobre a intenção do encontro. A última apresentação da Neurastenia foi em 2010, no giro do grupo venezuelano Amordazados.


CRUST OR DIE apresenta GIG PUNK

Neurastenia
Rancor 
Orelha Seca
Sbórnia Social
Agnósia
__________________________________

Denis Bar - Pitanguinha - Simões Filho
01 de Junho de 2013 / 16h
R$: 6,00  

domingo, 28 de abril de 2013

Entrevista: George Porciuncula - Estúdio31


Fruto de um sonho antigo, o Estúdio31 é o mais novo espaço de apoio para bandas de todas as vertentes musicais do Subúrbio. Bati um papo com George, o realizador desse sonho, pra ele expressar o significado desse empreendimento feito com muito suor e amor à música.

Divulgação
  
Fanzine Digital Periférico - Quando surgiu a ideia de montar o estúdio? E o que te motivou?
George Porciuncula - Eu tinha vontade de fazer por gostar de música e por precisar às vezes de um estúdio e não conseguir. Há mais de 10 anos sentia vontade de fazer. Sempre achei interessante trabalhar com música, e há uns três anos vinha construindo e ainda não terminei tudo.

FDP - E o estúdio é em sua casa?
GP - Sim, é em cima da garagem daqui de casa.

FDP – Rolou um apoio ou foi na cara e na coragem?
GP – Olha, eu lutei pra fazer isso. Muitos profissionais me enrolaram e deixaram serviços maus feitos. Gastei uma grana danada, entrei num estresse e ainda tenho me chateado com alguns lances. Mas sem três amigos inseparáveis eu não terminaria isso. Nos conhecemos desde ‘pivetão’, e temos uma banda juntos (Tallowah). Não esperava que os caras fossem tão incríveis: Ivan (Busta Almeida), Meu irmão Jonathas (Jack Ufo) e Edmílson (Misso Cunha). Te juro, só terminei por causa deles.

Estúdio31 - Divulgação

FDP - Quais os estilos musicais que o estúdio pretende acolher?
GP - Existe uma dúvida, velho. Eu construí com a intenção de alugar para bandas de rock, metal, reggae, e outros estilos voltados para o underground. E estou ainda com essa intenção. Mas, tenho escutado vários conselhos e dicas de amigos que tem e tiveram estúdio...

FDP - Eles te aconselham a ceder o espaço para estilos variados pela questão do retorno financeiro?
GP – Sim. Quando você começa a construir a ideia é uma, você quer que só toque o som que você gosta. Mas para terminar é uma pendenga. Você termina e não tem como não se endividar.

FDP - E como está sendo a recepção das bandas? Já tá rolando uns ensaios?
GP - Poxa, as bandas que vieram amaram. Pois na verdade trabalhei com coisas de primeira. Quem fez o trabalho da acústica foi o Luiz Carlos Araújo, que trabalha com isso há mais de 20 anos. Ele fez estúdios famosos pra gente como Milton Nascimento, Saulo Fernandes, Psirico, rádios em São Paulo...

George por Lenon Reis

FDP – Vai ser possível fazer gravação também?
GP - Ainda não tenho como trabalhar com gravação. Mas a ideia é essa.

FDP - Quais as bandas que já estão ensaiando no 31?
GP - A Sbórnia Social (hardcore), Banda Palmares (reggae), Master of All (cover do Metallica) e uma de Paripe chamada Cogumelos Podres (punk rock). Também uns três rapazes fazendo Arrocha.

FDP - Planos para o futuro?
GP - Busta tá com uma ideia legal. Assim que o estúdio estiver todo perfeito faremos uma rádio online, onde as bandas vão ensaiar e transmitiremos ao vivo, ou faremos uma página no YouTube.


FDP - Pronto, pode vender seu peixe. Qual a localização do estúdio? E quais os valores? Contatos...
GP - O estúdio fica após o final de linha de Plataforma, depois da Rua Chile, atrás do bar do Jessé. Pergunta no bar onde fica a casa de Jorge Fotógrafo. Lá no número 31 - origem do nome do estúdio.
Valores: 1 hora é R$15, 2h é R$30 e 3h é R$40. 


Telefones para contato: (71) – 8747-2919 / 8351-7909 / 9348-4410 / 9913-6359


O blog deseja boa sorte e longa vida ao Estúdio31!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

SESSÃO DO DESCARREGO: Sem Acordo


SEM ACORDO
xX HARDCORE Xx

_________

A FOME
SONHOS CONCRETOS
QUILOMBO CECÍLIA
SOB OS CAMINHOS DA INCERTEZA
EU TE AMO
PALAVRAS
IDEAL
DIREITO DE MATAR
GLOBALIZANDO A MORTE
JÁ BASTA!



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

RESENHANDO: EP Engrenagem - Sbórnia Social

Engrenagem é o primeiro registro da banda de Hardcore soteropolitana, Sbórnia Social. O EP conta com sete músicas, além de uma faixa introdutória. O trio formado por Rafael Medeiros (guitarra e voz), Marília Melo (baixo) e Lenon Reis (bateria e voz), apresenta um som rápido, bem executado e sem firulas. Em alguns momentos chegam a flertar com outros estilos como o Grindcore e o Crossover, além de sons incidentais irônicos como o Samba. Desde a mudança que incluiu o nome (antes, Alienados do Subúrbio) e a presença de Marília, a Sbórnia Social vem propondo enxertos musicais que vão além da música Punk. As letras abordam o cotidiano, e são direcionadas para o cunho social, cultural e críticas ao comportamento humano. Destacam-se no EP Engrenagem, as músicas: Cultura de Massa, Trabalhadores Oprimidos e Monopólio - essa última com um ótimo refrão. Vale o destaque também para a arte da capa: Uma engrenagem mecânica e um indivíduo enforcado pela mesma - bela analogia com o sistema capitalista. No fim da audição do EP fica aquele gostinho de quero mais, que pode ser saciado nos diversos sons que a banda vem fazendo pela cidade. Pra quem curte Hardcore brasileiro tipo: Ratos de Porão, DFC, Ataque Periférico e Mukeka di Rato, Engrenagem é uma boa pedida.


Baixe na Sessão do Descarrego - Sbórnia Social - Engrenagem

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

IMPRESSÕES SOBRE: Antes do Fim do Mundo

Antes do Fim do Mundo / Foto: Lenon Reis
Segundo a cultura Maia, o mundo tem o seus dias contados até o próximo dia 21. Verdade ou não, a galera da Cidade Baixa resolveu antecipar as despedidas com a realização do som intitulado: Antes do Fim do Mundo. Anti-show estilo intervenção urbana, às margens da rua principal do Caminho de Areia. Do tipo, a galera passando nos carros e buzus sem entender o que se passava por ali.

A primeira atração da tarde, a KALMIA, chegou sem pedir licença nem desejar boa tarde pra ninguém. A falta de cerimônia talvez se justifique pela essência old school do trio, com sonoridade marcada pela levada D-beat e Thrash dos anos oitenta. Trata-se de uma banda nova, mas que possui em sua linha de frente o vocalista e guitarrista Diogo (Pingo), velho conhecido na cena punk de SSA. Covers de Anti-Cimex, Sodom, Armagedom e uma banda finlandesa daquelas que entender o nome depois de algumas cervejas é foda. Destaque para a música “Redes Sociais”, que rendeu comentário de um ‘engraçadinho’ no microfone: “Curtimos a canção, obrigado por compartilhar com a gente”, ironizou. Gostei muito do som.

Em seguida, outra pedrada hardcore. A SBÓRNIA SOCIAL assumiu a aparelhagem com a velocidade habitual, e quando muitos dos presentes foram se situar os jovens já estavam na terceira música. O repertório ficou meio espremido por conta dos atrasos no início do som, e por isso, as bandas tiveram de fazer adequações. Passaram as músicas do EP recém-lançado, o Engrenagem, mais algumas, e covers matadores que tiraram a galera do estado letárgico. Bonito ver a galera dividindo o microfone pra cantar junto sons clássicos como Botas, Fuzis e Capacetes, do Olho Seco.

Kalmia / Foto: Lenon Reis
Interessante ver que alguns personagens de uma geração anterior não sucumbiram aos apelos da vida comum. É a impressão que sentimos quando temos a possibilidade de ver a apresentação de bandas como a TEDIUM VITAE. Banda das antigas, que teve várias formações, mas que agora se resume a uma dupla. Punk Rock clássico de Salvador, com toques de Distúrbio e Revolução Proletária. O Punk Rock não morreu.

A UNKILLED é uma banda nova, formado por pessoas novas, fazendo um som velho - mas em evidência. O grupo segue a linha Thrash / Crossover, e obedece bem a cartilha do estilo. Gostaria de destacar a performance elétrica do jovem baterista e os riffs trhasheiros do guitar. No entanto, os jovens precisam investir um pouco mais nos ensaios para não se perderem no meio das músicas e letras. No mais, a Unkilled é uma banda promissora.

Encontro de gerações / Foto: Lenon Reis
Já era noite e os rumores indicavam para a não participação da GREDLOCKLOCORE no som. Isso, porque o baterista da banda não deu as caras. Em cima da hora conseguiram improvisar um batera (Pingo), e a partir de negociação com os donos do espaço, conseguiram tempo para tocar cinco músicas. A Gredlock é uma das sobras dos anos 90, e particularmente, a postura politicamente incorreta do grupo me agrada. A musicalidade tem algo que me lembra a finada Bosta Rala, só que sem os grinds. Som punk sujo, rasteiro, com uma base tosca convidando pra pogar na maciota. O vocalista Bujão é um capítulo a parte; figura mesmo.

O som terminou lá pelas 19h, e o único fator que poderia ser repensado é quanto à localização, tão próxima a uma via de grande circulação. Teve um carinha que deu altos sustos na galera por conta de seu estado etílico, ao bambear rente aos carros. Pra ele sim, o mundo quase acaba. Fora isso, foi lindo ver o rock interferindo na normalidade de um domingo à tarde.

sábado, 3 de novembro de 2012

Clipe: Sbórnia Social - Cultura da Massa


Primeiro Videoclipe da banda de Hardcore Sbórnia Social!


Clip produzido pela Quem é Doido? Vídeos!

Banda: Sbórnia Social
Música: Cultura de massa
Integrantes: Rafael Medeiros (guitarra e voz), Marilia Melo (baixo), Lenon Reis (Bateria)


TÉCNICO
Direção e edição: Lenon reis
Fotografia: Lenon Reis, Marilia Melo

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

IMPRESSÕES SOBRE: Subúrbio Hardcore Attack


05 de agosto – Domingo ensolarado no subúrbio da capital baiana, e enquanto todo cidadão de bem estava aproveitando sua folga lá pelas praias de Tubarão e São Tomé, ou no cabaré de Orlando, o bando da Quem é Doido? propunha uma diferente opção. O aguardado Subúrbio Hardcore Attack, que apostou em uma divulgação ousada, tornara-se enfim uma realidade. De cara, confesso que fiquei surpreso com o local do som, discreto até para os transeuntes (como eu) da Avenida Afrânio Peixoto, a popular suburbana. Era como se aquele portão e a curta escadaria, num canto do Luso, nos transportassem para um mundo paralelo – o nosso mundo. Esquecendo esse papo de second life, vamos lá.


A banda Cogumelos Podres foi à primeira atração da tarde. Com um punk rock cheio de energia e acordes ramônicos, o quarteto paripense proporcionou algo que há tempos não se via no subúrbio - o surgimento de novas bandas neste estilo. Sangue novo fazendo som. Músicas convidativas para o pogo e refrões que grudam na cabeça são a tônica deste grupo composto por três caras e uma mina. Como toda banda nova que se preze, alguns covers foram devidamente executados. Alguns agradaram a galera, outros não. Destaque para o vocal da jovem.

Segunda atração da tarde, assim como no som do dia anterior em Simões Filho, a M.D.C. é a responsável pela catástrofe que se iniciaria a partir daqueles instantes. Definitivamente, não tem como dizer que o ambiente é o mesmo quando os caras começam a tocar. Ainda bem que o público notou isso, o que gerou uma bela comunhão. No som do dia anterior, senti a falta do contrabaixo (tocam sem), já em Plataforma acho que isso propiciou uma qualidade ímpar. Rolou espaço para um cover do Hutt. Destaco a ótima sincronia dos vocais, além do intrigante magnetismo entre Caio e o chão (o que gera um trocadilho supimpa). Pensei em resenhar a banda apenas com um sem comentários, mas preferi escrever essas linhas e resumir: do caralho.


Enquanto o público se refazia da apresentação anterior, a Ironbound tinha a responsabilidade de dar continuidade ao ritmo intenso do festival. No início, sentiu-se um ligeiro cansaço do público, mas nada que bons riffs e refrões não resolvessem. O som começou meio embolado, mas foi logo sanado pela galera que dava apoio. Tocaram as músicas dos EPs, mais alguns sons que estarão no próximo trabalho, além de covers de Slayer, Metallica e Motorhead. A esta altura ninguém mais fazia referência à palavra cansaço, e o stage dive seguia como uma atração à parte. Se o Atlético de Alagoinhas jogasse futebol como a Ironbound faz thrash / crossover, a dupla BA x VI teria graves problemas no Baianão.

Tocando praticamente no quintal de casa, a Sbórnia Social foi a seguinte a passar seu recado. Devido os constantes ensaios realizados para o já gravado EP da banda; Rafael, Lenon e Marília estão com uma pegada cada vez mais entrosada ao vivo. Uma música atrás da outra, sem muita conversa. Sons como Desde o Início e Cultura de Massa são as pistas para o material que será lançado em breve. Tocaram os mesmos covers da noite anterior em Simões, porém, Couch Slouch do DRI causou certa histeria no público. 


O clima era de fim de festa quando a Theóryca (ex-Base Zero) começou a tocar. O grupo adota a linha melódica com letras bem cantadas por Rodrigo e com refrões em coro, bem diferente da linha das outras atrações. Porém, as músicas quebradas não ajudaram a segurar o público, que a esta altura deixava o recinto, com exceção de uma meia dúzia que balançava os esqueletos e cantava junto. O show seguiu morno até o fim.

Fim do 1° Subúrbio Hardcore Attack, mais uma iniciativa produzida na cara e na coragem baseada na cooperação dos chegados. Parabéns ao público presente, as bandas envolvidas, e a banquinha Crust or Die (rangos, cd’s, lp’s...).

Fotos: Quem é Doido? Vídeos.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

IMPRESSÕES SOBRE: Respire Seu Próprio Veneno


Sábado - 04 de agosto. Seguindo pelas estradas do CIA, rumo a Simões Filho, num fim de tarde nublado como um sentimento reprimido que só receberia alívio com uma forte chuva, ou com gritos e acordes de fúria. O destino era a Associação de Moradores da Pitanguinha Nova, local do som, com as bandas: Expurgado, M.D.C., Egrégora, Sbórnia Social e Devouring.


Chegando ao espaço, a Expurgado já recepcionava o público com seu grindcore destruidor. Formada por figuras conhecidas como Maldito (Rancor) e Tovar (Bosta Rala (rip), Into the Corpse), a banda fez um set comprimido por conta do novo baixista que ainda não tinha o repertório completo na ponta dos dedos. Músicas ultra-rápidas e o vocal gutural de Maldito marcaram a apresentação desta experiente banda.


Já era início de noite quando a M.D.C. iniciava sua sessão de sons no estilo velocidade da luz. Seguindo a linha grind da banda anterior, esses verdadeiros mensageiros do caos foram os primeiros a assanhar o público com um desempenho vigoroso, principalmente o vocalista Caio que ganhou de brinde uns arranhões na performance cantar e rolar no chão. Já tinha ouvido bons comentários sobre os caras, mas vê-los ao vivo mostrou que o estilo grindcore possui competentes representantes em nossa cena.


Encerrada a primeira etapa composta por petardos moedores, era chegada à hora da banda Egrégora dar a voz. O grupo uniu velocidade e cadencia, além de uma energia típica das melhores bandas deste estilo. O instrumental muito bem executado servia como pano de fundo para o vocal intenso da Carol. Infelizmente na apresentação da Egrégora o publico estava meio disperso. Mesmo assim, a energia apresentada da banda foi mais que suficiente para transmitir boas vibrações.


Eis que esse malaco véio que os escreve tem mais uma vez a alcunha de resenhar algo sobre a Sbónia Social. Como havia dito pro Rafael (guitarra e vocal), já me sinto suspeito para tal tarefa. Isso, porque acompanho a banda desde o início e vejo-os evoluir a cada dia. De cara, foi à banda que mais agitou o público, o que mostra que o hardcore da velha escola não está tão degradado assim. Destaque para a inclusão de Marília nos vocais, que era uma reivindicação antiga da galera. Fizeram covers do DRI, Vitamin X e Ratos de Porão – este no bis. A apresentação da Sbórnia foi resumida no fim da última microfonia, que teve o silêncio quebrado por uma garota no público que largou um espontâneo “arrasou!”.


A última atração do evento foi Devouring, um power-trio death metal bastante competente. A banda chegou ao evento com a moral de ter aberto o recente show da banda paulistana Claustrofobia, em Salvador. Som bem entrosado com um ótimo vocal gutural, pena que a quantidade de fãs deste estilo não estivesse em maior volume (nem o fato de ser a única banda local do evento ajudou), o que rendeu uma apresentação para simples apreciação dos poucos que resistiam no espaço. 

Antes do término da apresentação da Devouring foi a hora de ir embora, já que em Simões Filho, ou volta de carro ou a carruagem virá o derradeiro buzu das 21h. Então, já fui banda mel.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

ARTIGO DE LIXO


Participar de um movimento alternativo requer bem mais do que o simples fato de freqüentar eventos deste tipo. As inúmeras possibilidades que estão disponíveis se apresentam como forma de desenvolver a criatividade, além de servirem como uma vitrine de ideias. Muitas pessoas entendem de cara o recado e mergulham num mar riquíssimo, desenvolvendo as próprias potencialidades e, as do tal movimento. Daí, a importância de formar bandas, escrever fanzines (musicais, políticos, poéticos...), organizar shows, produzir vestimentas, pintar, grafitar, cozinhar, vender, comprar; enfim, fazer nossa pequena engrenagem acontecer. Estar integrado é bem mais do que ir a pequenos shows das bandas dos amigos e venerar algo que é dispensável. Forme sua banda e expresse sua ideologia, ou, traga algo novo para confrontar-se com o que não concorda. Furte o microfone e declame poesias que contem algo sobre amor e liberdade. Pinte os muros da passividade com o neo-surrealismo urbano em cores berrantes. Fotografe o caos cotidiano em um ensaio que servirá como relato dos derradeiros dias. Desenvolva artesanatos, e pela primeira vez respire o ar da independência. Faça você mesmo e sentirás o sentido de tudo isso.


Recicle suas ideias

segunda-feira, 2 de julho de 2012

DIVULGA'SOM: TUNA em Cruz das Almas

De férias em Cruz das Almas, tenho a honra de divulgar mais um evento promovido pela iniciativa independente. O Rock Bar & o coletivo Crust Or Die apresentam mais uma gig, desta vez abrindo espaço para o giro da banda paulistana TuNa. Mais um encontro em prol dos pensamentos e atitudes anarquistas que se tornaram característicos da 'Cidade do Rock', no recôncavo baiano.
 

  
TUNA (São Paulo)
RANCOR

AGNÓSIA
EXCLUSOS




DIA 22 DE JULHO (DOMINGO)
CASA DE DINHO BATERA (ROCK BAR)
A PARTIR DAS 14HRS - APENAS 5 REAIS
CRUZ DAS ALMAS - BAHIA

terça-feira, 26 de junho de 2012

DIVULGA'SOM: Subúrbio Hardcore Attack


Subúrbio Hardcore Attack é o mais novo evento do barulho reacionário da periferia de Salvador. Mais um anti-show organizado pela Quem é Doido? Vídeos, com a intenção de ser realizado com regularidade ainda não definida.
O festival surge no bairro de Plataforma preenchendo o espaço deixado pelo tradicional Pôr do Sol Hardcore, que permanece por um tempo em repouso.
Em um espaço propositalmente reduzido, a interação entre o público e as bandas deve beirar a coexistência, tornando a ideia bem mais pulsante do que é visto atualmente nos sons locais. 
Apesar das naturais expectativas, o Subúrbio Hardcore Attack não foi desenvolvido em um laboratório, não existem fórmulas, apenas a necessidade de fazer as coisas acontecerem, assim como no caos cotidiano das cidades, assim como em nossas vidas. Ao ataque!

Local: Espaço do Negão (Largo do Luso | Plataforma) 

Data: 05 / 08 , às 13h.

Com as Bandas: Sbórnia Social / Ironbound / M.D.C. / Theóryca / Cogumelos Podres / Última Tragada.

R$7,00

segunda-feira, 30 de abril de 2012

DEVER DE CASA: Ironbound


Após um bom tempo sob o massacre do cotidiano, aqui estamos, dando prosseguimento a nossa série de entrevistas conhecida como DEVER DE CASA. A bola da vez é a banda IRONBOUND, da cidade de Alagoinhas (BA), que apesar do pouco tempo de existência está trabalhando pesado para conquistar seu lugar ao sol. O quinteto formado por: Angello Júnior (Vc), André Fiscina (Bx), Raul Barreto (Bt), Kenion Nascimento (Gt) e Daniel Menezes (Gt), vem se destacando com seu Thrash/Crossover, tornando-se uma das maiores referências deste estilo no Estado.

1 - Quando e como surgiu a ideia de formar a Ironbound?

Angello Júnior: A concepção da Ironbound ocorreu em meados do segundo semestre de 2010, quando a ideia ainda era de iniciar um projeto voltado à execução de covers de bandas de Thrash Metal, desde as mais clássicas e consagradas às mais obscuras. Entre 2003 e 2009 havíamos trabalhado com a Sick Life, banda cujo foco sempre foi o trabalho autoral; com o encerramento das atividades da Sick Life, concordamos que seria divertido investir em algo que nos proporcionasse uma liberdade maior para tocar músicas de bandas das quais sempre gostamos, sem que estivéssemos presos ao compromisso de compor com freqüência. No entanto, durante os últimos meses de 2010, enquanto tentávamos amadurecer a ideia do projeto de covers, continuamos a compor individualmente. Quando reunimos este material e avaliamos o seu conteúdo, sabíamos que não poderíamos descartá-lo, que deveríamos aproveitá-lo de alguma maneira. Então, em janeiro de 2011, quando entramos em estúdio pela primeira vez, já havíamos abandonado os planos de seguir como uma banda cover, e passamos a priorizar novamente o trabalho autoral. 

Raul Barreto: Quando encerramos as atividades da Sick Life, achei até que nunca mais voltaria à tocar com banda; quase um ano se passou e Júnior apareceu em minha casa falando que queria retomar as atividades com um novo projeto, mas nada sério, só para preencher aquele vazio que ficou entre cada um. No fim das contas, eu, Júnior, Kenion e Renato, todos ex-integrantes da Sick Life, resolvemos fazer um som, tocando covers. Chegamos a ensaiar várias vezes, até que um dia Kenion fez uma composição e resolvemos trabalhar em cima daquilo; o resultado foi foda, e foi dessa composição que resultou a faixa-título do nosso primeiro EP. Foi aí que começamos a compor e dar continuidade ao trabalho, buscando criar uma identidade para a banda. Houve algumas mudanças de membros, como a chegada de André (também ex-Sick Life) no lugar de Renato, e a entrada de Daniel, resultando na atual formação da banda. 

 2 - Falem um pouco sobre a cena rocker de Alagoinhas?

André Fiscina: A cena aqui já foi bem mais forte, principalmente na década de 80, início dos 90, sempre com um ciclo de bandas e eventos aparecendo e sumindo. Desde o final dos 90 até o momento, venho acompanhando e eu vejo que houve muita produção na cidade, várias bandas surgiram, e nunca houveram duas bandas com a mesma proposta de sonoridade, sempre com influências e trabalhos diferentes entre si. Isso torna a coisa mais legal, porque tem espaço pra todos. Hoje em dia não sei bem quantas bandas estão em atividade, mais posso contar, além da Ironbound, a Nute, Inventura, Traquebomba, Sr. Mais Velho, Aborígines, e a mais nova banda em atividade é a Epidemic Terror, de Death Metal.

Raul: A cena da nossa cidade, infelizmente, não é das melhores, mas até que ultimamente tem rolado alguns eventos - do final do ano passado pra os dias atuais - e isso já é um grande avanço. Os eventos aqui são feitos na base do famoso “Do It Yourself”, porque se fosse para depender de programas culturais, patrocínios ou coisa do tipo, pode ter certeza que não sairíamos do zero. Então, sempre quando pode alguém junta uma grana, aluga espaço, equipamento de som, e reúne a galera pra fazer acontecer. O que está faltando mesmo é espaço para as bandas, um lugar em que pelo menos uma vez no mês elas se apresentem. Isso seria fundamental para atrair e ganhar mais público, motivando o surgimento de novas bandas e, consequentemente, ajudaria a cena a crescer.

 3 - Logo no primeiro ano de formação vocês lançaram dois EPs, falem sobre esses trabalhos?

Júnior: O primeiro ano de atividades da Ironbound foi marcado principalmente por trabalho em estúdio, sobretudo ensaios e pré-produções. Era algo que havíamos planejado desde o início, uma vez que o objetivo era compor material próprio, aperfeiçoar o nível de execução desse material, e gravá-lo. Em Março de 2011 contávamos com algumas músicas finalizadas, e, principalmente, já nos sentíamos preparados para iniciar o processo de gravação do primeiro EP, que acabou sendo o “Máquina da Morte”. É um registro coeso e que cumpriu a sua função de apresentar a banda ao público, porque deixou bem clara a nossa proposta de combinar riffs e refrões. Tivemos uma excelente recepção por parte do público, que não somente baixou as músicas via internet, mas também nos enviou seu feedback através de mensagens de apoio. Com a boa repercussão deste primeiro material em blogs e redes sociais, resolvemos dar continuidade ao processo de gravação já em julho, que foi quando começamos as sessões de pré-produção para o EP “Unidos Pelo Ódio", o qual ao meu ver mantém intacta a nossa proposta, com o diferencial de ser mais abrangente, uma vez que o processo de composição das quatro faixas contou com a participação de toda a banda, a interação entre nós foi maior, e conseqüentemente a interação e a dinâmica entre as músicas também é mais intensa.


4 - Qual o foco nas letras da banda?

Júnior: O fato de optarmos por priorizar o Português como idioma de grande parte das nossas músicas, se por um lado permitiu maior liberdade e dinamicidade para expressar ideias, por outro exigiu maior rigor e cuidado tanto com a forma como colocaríamos as coisas, quanto com a escolha dos temas que abordaríamos. A minha ideia sempre foi de criar letras cujos temas pudessem interagir com a nossa música, e sendo a nossa música áspera, ríspida e em certo ponto violenta, era uma oportunidade de escancarar, de reescrever, à nossa maneira, alguns eventos marcantes ocorridos em função, principalmente, da política norte-americana, do imperialismo, que é um tema sobre o qual particularmente gosto de pesquisar. Para que o resultado pudesse ter uma base argumentativa mais sólida, sem no entanto deixar de soar direto e agressivo, recorri a alguns documentários nos quais estão baseadas boa parte das nossas letras, tendo sido alguns filmes do jornalista australiano John Pilger a base da pesquisa e criação.    

5 - Como está sendo a relação da Ironbound com a internet como veículo de divulgação?
 
Júnior: A Internet tem sido a principal mídia através da qual divulgamos o nosso som. Em se tratando de custo/benefício, provavelmente tenha sido a mídia mais viável para bandas independentes nos últimos cinco anos, porque permite que você leve a música da tua banda a mais pessoas e a diferentes lugares através dos arquivos digitais. Temos trabalhado na divulgação do nosso material através das redes sociais, em comunidades e grupos específicos, e o resultado tem sido positivo. Sites como o Youtube, por exemplo, oferecem facilidade de acesso e interatividade. A grande quantidade de blogs, que hospedam desde e-zines a páginas pessoais, também têm ajudado bastante a difundir nosso trabalho, em muitos deles é bem fácil encontrar os dois EP’s para download.   

Raul: Tem sido muito bom, superou até um pouco as minhas expectativas, tivemos muitos comentários positivos, inclusive alguns meses após o lançamento de “Máquina da Morte” fui fazer uma pesquisa no Google sobre a banda para ver se encontrava alguma coisa relacionada, e não sei como... o nosso EP estava em vários blogs, alguns gringos - da Rússia e na Espanha. Ficamos muito gratos, acho que não tinha nem dois meses de lançado, isso foi uma coisa que nos deixou muito felizes porque mesmo fazendo um som cantado em Português a galera lá curtiu. Sem falar também da matéria sobre a banda que saiu no respeitado site Whiplash, graças ao Christiano, dono do blog “Som Extremo” - aproveito para agradecer mais uma vez a ele pela matéria e pelo excelente trabalho.


6 - A Ironbound se apresentou recentemente em cidades como Salvador e Simões Filho, como está sendo a recepção por parte do público? A relação com outras bandas? E como está sendo a experiência pra vocês?

Júnior: Foram passagens muito positivas em cada lugar nos quais tivemos a oportunidade de tocar. É gratificante e divertido poder apresentar o nosso trabalho em diferentes cidades do nosso estado. Cada evento é uma nova oportunidade de conhecer pessoas e fazer contatos importantes, e também de rever e dividir o palco/espaço com amigos e bandas parceiras. Em Salvador, tocamos em evento que contou com a Lei do Cão, e a isso graças aos parceiros da Sbórnia Social, que têm nos apoiado e com a qual tivemos a satisfação de tocar algumas vezes. Em Simões Filho, foram duas visitas até então, ambas bem-sucedidas, uma vez que contamos com o apoio do público – que participou e interagiu conosco nos shows – , dos nossos amigos da Brain In Flames e do pessoal da Crust Or Die (Blog e Distro). Também passamos por Esplanada, Pojuca e Santa Bárbara, e em todas as ocasiões pudemos agregar experiências positivas. Só temos a agradecer às pessoas que nos proporcionaram estar em cada um destes lugares, e às tantas que nos motivam a seguir em frente.  


André: Foram dois shows brutais, pessoal se acabando no Mosh bem do jeito que a gente gosta de ver. Em Salvador foi um prazer dividir o palco com a Lei do Cão e a Sbórnia Social, e tomar aquele sol todo pra fazer o som para a galera. Queremos voltar sempre que possível pra revê-los e continuar a propagar o nosso som.



7 - O que vocês acham dessa nova evidência do Thrash Metal? E, a quê vocês creditam isto?
 
Júnior: Quando o trabalho é bem feito, apoiado e divulgado, a tendência é que acabe se destacando. O Heavy Metal em geral sobreviveu a um período negro, em que pequenos selos fecharam as portas, grandes gravadoras mudaram o foco das suas prioridades, e inúmeras bandas vieram a decretar o fim das suas atividades – muitas das que resistiram passaram a apresentar trabalhos pouco inspirados, algumas até redirecionando a proposta para estilos mais comerciais. Acredito que a reviravolta tenha ocorrido principalmente porque as bandas voltaram a fazer aquilo que sempre souberam fazer, voltaram a acreditar novamente em sua música, e apresentar material de qualidade novamente. Muitas bandas veteranas retomaram as atividades, outras tantas surgiram para somar forças e agregar credibilidade ao Thrash Metal. A consolidação dos arquivos digitais e sua disseminação também foi fundamental, acabando com a festa das gravadoras e permitindo maior independência às bandas, e desde então tem ajudado demais àquelas que sabem utilizar o mp3, por exemplo, como uma ferramenta poderosa no processo de divulgação. 

André: Acho que essa evidência é normal, rolam esses ciclos na mídia rockeira, daqui a um tempo pode ser que ninguém mais queria saber de Thrash novamente! Tem muitas bandas novas resgatando o estilo, e outras que já existem desde quando o estilo estava em baixa e não deixaram a thrasheira morrer. Mas não somos desse lance de estar na tendência, em ir com a onda, a gente já escuta Thrash desde muito tempo, principalmente eu e Angello, correndo atrás de clássicos do estilo em sebos, antes de mp3 e coisas do tipo, então nada mais normal que o som que dá tesão da gente fazer seja Thrash/Crossover. 

8 - Quais os planos para um futuro próximo?

Júnior: Recentemente iniciamos a gravação do nosso terceiro registro. O processo ainda está na fase inicial, mas desta vez pretendemos registrar um número maior de faixas, e algum material extra, como músicas extraídas de shows ou material áudio/visual. Por isso mesmo, precisaremos de um tempo maior para viabilizá-lo, e ainda não existe uma previsão de quando o disco estará finalizado. Queremos, também, disponibilizar camisas e patches da banda. E, é claro, continuar levando nosso som à lugares diferentes, através de shows.

André: Lembrando também que estaremos retornando à Esplanada, em 26 de maio. E que em breve teremos novos shows confirmados, é só ficar ligado, pois divulgaremos no Facebook, Orkut e Myspace!
 


9 - O Ecos da Periferia gostaria de agradecer a participação de vocês. Querem deixar suas considerações finais?
 
Júnior: Agradeço ao zine Ecos da Periferia pela oportunidade de falarmos um pouco sobre nosso trabalho. Parabéns, sigam firmes com a proposta de vocês! Meu muito obrigado também a todos que têm nos apoiado, tanto o público que vai aos shows e baixam nossas músicas, quanto às bandas parceiras. Keep on thrashin’!!

Raul: Valeu ao espaço que vocês concederam, valeu mesmo, são pessoas como vocês que fazem o cenário permanecer na ativa, continuem com esse trabalho do caralho que vocês fazem. Agradeço também a todos que sempre acreditaram e apoiaram a banda.


*Fotos: Divulgação / Quem é Doido? / Ecos da Periferia.

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